domingo, 6 de março de 2016

Sem pontos finais.

Foto de Kássia Fernanda


     Antes de ir, deixo um pouco daquilo que carreguei, por entre tantos lugares aos quais gostaria de ter ido pessoalmente, mas apenas fui em pensamento. E por falar em pensamento, me pego perdida entre tantos deles, tantas coisas que me levam a prosseguir e que mesmo assim não consigo dizê-las, sigo calada, tentando recompor as partes minhas que estão perdidas por aí, em algum coração despedaçado por minhas mãos. 
    Ah sim, não tive a intenção, no entanto ainda assim deixei um pouco de mim nos outros, embora eles não queiram mais ter nada meu,nem eu queira dar-lhes mais nada -é incrível como nada se faz da maneira como pensamos!- Sigo pondo reticências ao invés de pontos finais, justamente por acreditar que no final das coisas o amor se modifica, mas não deixa de ser amor.
   Ufa! Mais uma vez o amor bate à porta e eu vou como se nunca tivesse acontecido, me lanço, me jogo, até perceber que só eu amei- não podia ser diferente!- eu simplesmente não percebo, não escuto ninguém e acho que estou indo devagar quando na verdade fui correndo, vomitando tudo aquilo que sinto.
    O antes não importa, fecho os olhos, vejo o hoje, imagino o amanhã, aguardo o ponto final, mas sempre vem três em meu coração.



                                                                                                                                                  Aline NC

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