quarta-feira, 23 de março de 2016

Deixe estar

     
    A delicadeza exposta ao horror não deixa de ser delicada, apenas se torna mais difícil de enxergar; talvez essa dificuldade torne as pessoas menos acessíveis apesar de quererem dar acesso.
    É tão incerta a certeza que temos, as coisas simplesmente desmoronam dentro de nós sem que estejamos sequer preparados, mesmo assim certas coisas nos pegam na maior certeza incerta de que temos todo o controle sobre as coisas que nos acontecem quando não temos.
   Receio estar verdadeiramente desapontada com todos estes sentimentos, provocados por outros sentimentos dos quais nem faço ideia. Afastar-se daquilo que faz mal é verdadeiramente libertador, mas afastar-se daquilo que faz bem torna as coisas tão complicadas e difíceis, embora isso ocorra, ainda assim estamos nos afastando e complicando coisas simples, desperdiçando bons amigos, boas conversas, em troca da liberdade que aprisiona, de coisas e pessoas esquisitas as quais acreditamos amar.
    Ah o amor, ô negócio fácil de ser confundido com posse, porém somos nós mesmos que deixamos as coisas chegarem além do que deveriam, simplesmente não percebemos pois estamos ocupados  querendo ser um lindo sonho de alguém.
   Não tem que ser assim.
   Deixe estar, amizades vêm e vão o tempo inteiro, pessoas da mesma maneira e estar desapontada não é algo totalmente ruim, é uma forma esquisita de amar, deixar ir, se permitir permanecer com o que há de bom, fechar a porta e deixar a janela aberta. 



                                                                                               Aline NC.

domingo, 6 de março de 2016

Sem pontos finais.

Foto de Kássia Fernanda


     Antes de ir, deixo um pouco daquilo que carreguei, por entre tantos lugares aos quais gostaria de ter ido pessoalmente, mas apenas fui em pensamento. E por falar em pensamento, me pego perdida entre tantos deles, tantas coisas que me levam a prosseguir e que mesmo assim não consigo dizê-las, sigo calada, tentando recompor as partes minhas que estão perdidas por aí, em algum coração despedaçado por minhas mãos. 
    Ah sim, não tive a intenção, no entanto ainda assim deixei um pouco de mim nos outros, embora eles não queiram mais ter nada meu,nem eu queira dar-lhes mais nada -é incrível como nada se faz da maneira como pensamos!- Sigo pondo reticências ao invés de pontos finais, justamente por acreditar que no final das coisas o amor se modifica, mas não deixa de ser amor.
   Ufa! Mais uma vez o amor bate à porta e eu vou como se nunca tivesse acontecido, me lanço, me jogo, até perceber que só eu amei- não podia ser diferente!- eu simplesmente não percebo, não escuto ninguém e acho que estou indo devagar quando na verdade fui correndo, vomitando tudo aquilo que sinto.
    O antes não importa, fecho os olhos, vejo o hoje, imagino o amanhã, aguardo o ponto final, mas sempre vem três em meu coração.



                                                                                                                                                  Aline NC