quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Será que dar nome é a questão?




                 Embora tantas coisas sejam controversas, ela sorri e enxerga o mundo com a inocência de quem sabe que as coisas irão melhorar ainda que todos digam, pensem falem o contrário. Ela sabe que bem no fundo de sua alma cabem as emoções programadas para não serem sentidas e mesmo que os olhos já não sejam a janela da alma, a mesma o enxerga como se fosse e se confunde,se difunde essa ideia de que é preciso ser o que não se é afim de que sejamos todos iguais a modelos pré-existentes de beleza, do modo de falar, do modo de agir, da religião, crença, raça.
               Ela insiste em prestar atenção nas entrelinhas, naquilo que o coração fala quando a a boca diz o inverso, no rosto suado, na voz cansada que grita por amor ao demonstrar não o querer; que fala berra, xinga e ainda assim anseia que sua alma pare de sangrar, que alguém enxergue não só o esteriótipo projetado para afastar.
             Vejo machistas, feministas, cada um defende alguma coisa e a expõe e a denomina e a diferencia, quando as almas todas buscam apenas por atenção. Ela bem sabe que esteriótipos são impostos, designados e de fato dar nome não torna algo melhor, apenas demonstra o quão ela se sente diferente por não pertencer a nada disso, por querer se encaixar em algo apenas para poder ser denominada.
             Então ela cresce e percebe o quão ignorante é essa necessidade de quantificar, qualificar,denominar cada pessoa quase que como rótulos, receitas ou bulas, no entanto onde ela se encontra, muitos se perdem. Será mesmo que as almas devem se perder  tentando buscar ser?
Se "tudo é   questão de obedecer ao instinto que o coração ensina a ter", não existe razão óbvia para que ela se torne alguém vazio.





                                                                                                                                        Aline NC.